Conhecendo as unidades de medidas astronômicas

O Universo é enorme. Não foi à toa que a expressão “astronômico” entrou para o nosso cotidiano como sinônimo de números grandes, muito grandes. E não é mesmo fácil assimilar as distâncias envolvidas em boa parte dos textos sobre Astronomia.

Um número significativo de pessoas jamais se afastou mais de 40 quilômetros do lugar em que nasceram. Dentre todos os seres humanos que existem ou já existiram, apenas doze pessoas pisaram na Lua, que fica a cerca de 400.000 km da porta da sua casa. E pouco mais de 400 estiveram longe o bastante para ver o planeta do espaço.

Muito longe de casa

Ao lançar sondas exploratórias para outros planetas, o quilômetro deixa de ser prático como unidade de medida do percurso. Por convenção, escolheu-se a distância média da Terra ao Sol, cerca de 150 milhões de quilômetros, como unidade mais usual dentro no Sistema Solar. Por isso mesmo ela é chamada de Unidade Astronômica (abrevia-se U.A.).

A nave espacial mais rápida – e que até hoje foi mais longe – é a Voyager 1. Ela partiu em 1977 com destino a Júpiter e Saturno. Hoje ela está a mais de 12 bilhões de quilômetros da Terra e continua se afastando a 17.000 quilômetros por hora.
Mesmo assim, levará 76.000 anos para que a Voyager 1 percorra a distância que se encontra a estrela mais próxima do Sol, chamada Proxima Centauri, situada a 4,3 anos-luz (o equivalente a 271.931 U.A). E agora que estamos falando de estrelas, a Unidade Astronômica (U.A.) também deixa de ser prática. Precisamos de uma medida maior. É a vez do ano-luz.

O ano-luz (abreviatura: al) é a unidade de distância (não de tempo!) mais usada pelos astrônomos. Ela equivale ao percurso de um raio de luz que viaja pelo espaço durante um ano. Sabemos que a velocidade da luz é de 300.000 quilômetros por segundo. Para saber quantos quilômetros há num ano-luz temos que multiplicar esse valor pelo número de segundos que tem um ano.

Tempo & Espaço
1 minuto 60 segundos
1 hora 60 minutos ou 60 × 60 segundos = 3.600 segundos
1 dia 24 horas ou 3600 × 24 = 86.400 segundos
1 ano 365 dias ou 86.400 × 365 = 31.536.000 segundos
Logo, 1 ano-luz = 300.000 quilômetros por segundo × 31.536.000 segundos = 9.460.800.000.000 quilômetros (ou 9 trilhões, quatrocentos e sessenta bilhões e oitocentos milhões de quilômetros)

Da mesma forma como fizemos para calcular o ano-luz, podemos descobrir os submúltiplos dessa unidade: o minuto-luz e a hora-luz, por exemplo. O Sol está a 8 minutos-luz da Terra. A Terra está distante pouco mais de 5 horas-luz de Plutão, o último planeta do Sistema Solar.

Repare no que isso significa. Se o Sol se apagar nesse instante, ainda teremos oito minutos de luz até que tomemos conhecimento da terrível notícia. Da mesma forma, se você partir agora numa nave espacial rumo a Plutão, vai demorar cerca de cinco horas, viajando à velocidade da luz, para chegar ao seu destino.

Mas se o seu objetivo for alcançar Proxima Centauri a viagem demorará mais de quatro anos. Se decidir atravessar a Via Láctea, nossa galáxia, de ponta a ponta, nem todos os seus descendentes juntos adiantarão muita coisa: será preciso esperar 100 mil anos para cumprir o trajeto. E a Via Láctea é apenas uma entre bilhões de outras galáxias. O Universo é mesmo de tirar o fôlego.

Além do ano-luz

Podemos ir ainda mais longe nas unidades usadas pela Astronomia. Imagine que você afinal conseguiu viajar pelo espaço e está tão longe de casa que mal consegue ver o Sol. Na verdade você veria um objeto gigantesco, com 1 U.A. de diâmetro, sob um ângulo de visada de apenas um segundo de arco. A que distância você está?

A 1 parsec (abrevia-se pc). O parsec (nome formado pelas três primeiras letras dos vocábulos paralaxis secundus) equivale a 3,26 al ou 206.265 U.A. (as abreviaturas de unidades nunca vão para o plural).

Está achando pouco? Não se preocupe. Assim como o seu microcomputador provavelmente precisa de alguns megabytes (milhões de bytes) a mais de memória, também existe o megaparsec (Mpc) para satisfazer a necessidade dos astrônomos expressarem seus números gigantes. Algumas galáxias que vemos em belas fotografias do telescópio espacial estão a vários Mpc de distância.

Máquina do tempo

No entanto, talvez a informação mais extraordinária que aprendemos com as unidades de distância astronômicas seja o fato de que olhar para o céu é como fazer uma viagem no tempo.

Se eu vejo uma estrela que está a precisamente mil anos-luz de distância, significa que a luz partiu desse astro há exatos mil anos. A estrela pode até não existir mais – mas eu a vejo agora como ela era no passado.

A galáxia de Andrômeda, localizada na constelação de mesmo nome, é o objeto mais distante de todo o Universo que podemos ver a olho nu. Ela está a dois milhões de anos-luz da Terra. Quando percebemos aquela mancha esbranquiçada contra o fundo escuro do céu, estamos vendo Andrômeda como ela era na época em que os primeiros hominídeos começaram a caminhar pela Terra.

Interessar-se pelo firmamento é uma viagem de descobrimento. Uma viagem no tempo e no espaço, na companhia dos maiores números que você já ousou imaginar.

Fonte: Zênite

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s