Sol escuro pode ser vizinho mais próximo do Sistema Solar

A UGPS 0722-05 é a anã-marrom mais fria já encontrada, com temperaturas que variam entre 130 e 230 graus Celsius. E é também a mais escura, emitindo apenas 0,000026 por cento da energia emitida pelo Sol.(Imagem: ESO)

Estrelas que não brilham

Estrelas brilham, certo?

Na verdade, não. E uma dessas estrelas escuras, localizada a menos de 10 anos-luz da Terra, parece ser a anã-marrom mais próxima de nós.

Anãs-marrons têm tão pouca massa que nunca foram quentes o suficiente para manter as reações de fusão nuclear que alimentam as estrelas “normais”, como o Sol.

Elas brilham no início da vida, por causa do calor da sua formação, mas logo esfriam e desaparecem gradualmente da paisagem.

Estrela fria

A UGPS 0722-05, em particular, que acaba de ser descoberta, é tão fria que eventuais residentes em um planeta ao seu redor, ao olharem para o céu, veriam um disco escuro, em vez de uma estrela brilhante.

Essa vizinha discreta foi achada por Philip Lucas e seus colegas da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, a partir da radiação infravermelha que ela emite.

Localizado a apenas 9,6 anos-luz de distância, esse sol escuro se tornou a sétima estrela mais próxima do nosso Sol. Os astrônomos não descobriam uma nova estrela tão próxima de nós desde 1947.

Mas ela se tornou também a anã-marrom mais próxima de nós, bem mais próxima do que um par de anãs-marrons que giram ao redor da estrela Epsilon Indi, a 11,8 anos-luz, que eram as mais próximas conhecidas.

Recordes do sol escuro

E a estrela sem brilho bate também outros recordes.

Ela é a anã-marrom mais fria já encontrada, com temperaturas que variam entre 130 e 230 graus Celsius.

E é também a mais escura, emitindo apenas 0,000026 por cento da energia emitida pelo Sol – essa energia é emitida na faixa do infravermelho, e não na faixa visível do espectro.

Seriam necessárias 3,8 milhões de anãs-marrons como essa para igualar a energia do Sol.

Ela tem aproximadamente o tamanho de Júpiter, mas sua massa deve estar ser entre 5 e 30 vezes mais.

Os pesquisadores afirmam que sua descoberta demonstra que as anãs-marrons podem ser muito mais comuns do que os astrônomos imaginavam. E que muitas delas podem estar bem na nossa vizinhança.

Paralaxe

A distância estimada em 9,6 milhões de anos-luz ainda é preliminar. O cálculo foi baseado no fenômeno óptico chamado paralaxe.

Se um observador na Terra estabelece a posição de uma estrela no céu e então olha para ela novamente meses mais tarde, ela parecerá ter-se movido ligeiramente porque então estará sendo observada de um ponto diferente, conforme a Terra se move em sua órbita em volta do Sol.

Conhecendo as dimensões da órbita da Terra, os astrônomos podem calcular a distância que a estrela está de nós a partir da medida do seu movimento aparente.

Até agora, porém, os astrônomos que descobriram a anã-marrom UGPS 0722-05 ainda não dispõem de medições de paralaxe suficientes para fazer o cálculo com precisão. O resultado deverá ser refinado ao longo dos próximos meses.

Do Inovação Tecnológica

Bibliografia:

Discovery of a very cool brown dwarf amongst the ten nearest stars to the Solar System
Philip W. Lucas, C.G. Tinney, Ben Burningham, S. K. Leggett, David J. Pinfield, Richard Smart, Hugh R.A. Jones, Federico Marocco, Robert J. Barber, Sergei N. Yurchenko, Jonathan Tennyson, Miki Ishii, Motohide Tamura, Avril C. Day-Jones, Andrew Adamson
arXiv
Apr 2010
http://arxiv.org/abs/1004.0317

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