Descoberto sistema planetário semelhante ao Sistema Solar

Impressão artística do novo sistema exoplanetário HD 10180, com sete planetas, incluindo um "planeta de lava", com o tamanho mais próximo ao da Terra já encontrado até hoje. (Imagem: ESO/L. Calçada)

Sistema exoplanetário

Astrônomos do ESO (Observatório Europeu do Sul) descobriram um sistema planetário com, pelo menos, cinco planetas em órbita de uma estrela do tipo solar, HD 10180.

Os pesquisadores têm também fortes indícios da existência de mais dois planetas, sendo que um deles deverá ser o exoplaneta de menor massa encontrado até agora.

Isto torna este sistema planetário muito semelhante ao nosso próprio Sistema Solar em termos do número de planetas (sete planetas contra os nossos oito). Além disso, a equipe encontrou evidências de que as distâncias dos planetas até sua estrela seguem um padrão regular, como acontece no Sistema Solar.

“Esta descoberta extraordinária também enfatiza o fato de estarmos agora entrando em uma nova era da investigação de exoplanetas: o estudo de sistemas planetários complexos e não apenas de planetas individuais. Estudos dos movimentos planetários no novo sistema revelam interações gravitacionais complexas entre os planetas e nos dão informações sobre a evolução do sistema a longo prazo,” diz Christophe Lovis, principal autor do artigo científico que apresenta os resultados.
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Estrela magnética desafia teoria dos buracos negros

O magnetar desafia as atuais teorias da evolução estelar, uma vez que, segundo estas teorias, uma estrela com massa dessa magnitude deveria transformar-se em um buraco negro, e não em uma estrela magnética. (Imagem: ESO/L. Calçada)

Magnetar

Astrônomos demonstraram pela primeira vez que uma estrela magnética – um tipo incomum de estrela de nêutrons, também conhecida como magnetar – se formou a partir de uma estrela com pelo menos 40 vezes a massa do Sol.

O resultado desafia as atuais teorias da evolução estelar, uma vez que, segundo estas teorias, uma estrela com massa dessa magnitude deveria transformar-se em um buraco negro, e não em uma estrela magnética.

Isto deixa novamente em aberto uma questão fundamental: que quantidade de massa deve possuir uma estrela para dar origem a um buraco negro?

Zoológico estelar

Os astrônomos usaram o Very Large Telescope, do ESO (Observatório Europeu do Sul), para observar em grande detalhe o enxame estelar Westerlund 1, situado a 16.000 anos-luz de distância da Terra, na constelação austral do Altar.

A partir de estudos anteriores, os astrônomos sabiam já que Westerlund 1 é o super enxame estelar mais próximo conhecido, contendo centenas de estrelas de grande massa, algumas que brilham com a luminosidade de quase um milhão de sóis e outras com duas mil vezes o diâmetro do Sol (tão grandes como a órbita de Saturno).

“Se o Sol estivesse situado no centro deste enxame, o nosso céu noturno estaria repleto de centenas de estrelas tão brilhantes como a Lua Cheia,” diz Ben Richie, autor principal do artigo científico que apresenta estes resultados.

Westerlund 1 é um fantástico zoológico estelar, contendo estrelas diversas e exóticas. Mas as estrelas no enxame partilham uma coisa em comum: todas têm a mesma idade, estimada entre 3,5 e 5 milhões de anos, já que o enxame se formou a partir de um único evento cósmico.
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Descoberta a estrela de maior massa do Universo

Chamada pelos cientistas, na falta de hiperlativos, de "estrela hipergigante", a R136a1 tem mais de 300 vezes a massa do Sol - isto é duas vezes mais do que os astrônomos acreditavam até hoje ser o tamanho máximo de uma estrela. (Imagem: ESO/M. Kornmesser)

Maiores estrelas do Universo

Combinando medições feitas por instrumentos do Very Large Telescope do ESO (Observatório Europeu do Sul), astrônomos descobriram as estrelas de maior massa conhecidas até hoje, inclusive aquela que agora merece o título de “maior estrela do Universo” quando o critério é a massa, e não o diâmetro.

Chamada pelos cientistas, na falta de hiperlativos, de “estrela hipergigante”, ela tem mais de 300 vezes a massa do Sol – isto é duas vezes mais do que os astrônomos acreditavam até hoje ser o tamanho máximo de uma estrela, que se calculava ser de 150 massas solares.

A existência dessas estrelas monstruosas – milhões de vezes mais luminosas do que o Sol, e que perdem massa através de poderosos ventos estelares – reabre a questão, mas também poderá ajudar a responder a pergunta “Qual é o tamanho máximo que uma estrela pode ter?” Por enquanto, elas podem ser tão grandes quanto a mais pesada que pudemos encontrar.

A R136a1 não é apenas a estrela de maior massa já encontrada, mas é também a que apresenta a maior luminosidade, sendo cerca de 10 milhões de vezes mais brilhante do que o Sol.

“Devido à raridade de tais objetos, penso que será bastante improvável que este novo recorde seja batido rapidamente,” diz Paul Crowther, da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, que chefiou a equipe que fez a descoberta.

Fábricas cósmicas

Os astrônomos utilizaram imagens do VLT e do Telescópio Espacial Hubble para estudar detalhadamente dois enxames estelares jovens, NGC 3603 e RMC 136a.

O NGC 3603 é uma fábrica cósmica, onde novas estrelas formam-se em um ritmo frenético a partir das extensas nuvens de gás e poeira da nebulosa, situada a cerca de 22.000 anos-luz de distância.

O RMC 136a (mais conhecido por R136) é outro enxame estelar composto por estrelas jovens, quentes e de grande massa, que se situa no interior da Nebulosa da Tarântula, numa das nossas galáxias vizinhas, a Grande Nuvem de Magalhães, a cerca de 165.000 anos-luz de distância.

Durante a pesquisa, a equipe encontrou várias estrelas com temperaturas superficiais de mais de 40.000 graus Celsius, ou seja, mais de sete vezes mais quentes do que o nosso Sol, algumas dezenas de vezes maiores e vários milhões de vezes mais brilhantes.

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Começa mapeamento em 3D das galáxias vizinhas da Via Láctea

Esta vista panorâmica, capturada na faixa do infravermelho próximo, mostra a Nebulosa da Tarântula em grande detalhe, assim como o seu meio envolvente. (Imagem: ESO/M.-R. Cioni/VISTA)


Telescópio de rastreio

Uma imagem espectacular da Nebulosa da Tarântula, situada na vizinha Grande Nuvem de Magalhães, foi obtida pelo VISTA, o telescópio de rastreio do ESO (Observatório Europeu do Sul), marcando o início da criação de um mapa tridimensional dessa região.

Esta vista panorâmica, capturada na faixa do infravermelho próximo, mostra a nebulosa em grande detalhe, assim como o seu meio envolvente. A imagem foi obtida logo no início de um grande rastreio das nossas galáxias vizinhas e do seu respectivo meio circundante.

“Esta imagem mostra uma das mais importantes regiões de formação estelar no Universo Local – 30 Dourados, a região de formação estelar também conhecida por Nebulosa da Tarântula. No seu centro encontra-se um grande enxame estelar chamado RMC 136, onde se situam algumas das estrelas de maior massa conhecidas”, explica Maria-Rose Cioni, líder da equipe.

Telescópio de infravermelho

O telescópio VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy), o mais novo telescópio de rastreio do ESO, deverá fazer um mapa 3-D do Universo.

Sua enorme câmera detecta radiação infravermelha, revelando uma riqueza de detalhes sobre objetos astronômicos que não pode ser vista pelo espectro visível, dando assim informações sobre o funcionamento interno de fenômenos astronômicos.

A radiação infravermelha tem um comprimento de onda maior do que a radiação visível. Este tipo de radiação pode atravessar enormes quantidades de poeira, poeira essa que normalmente obscurece nossa visão. É esta característica que permitirá a construção de mapas em 3-D das regiões observadas.

Isto torna esta radiação particularmente útil no estudo de objetos tais como estrelas jovens que ainda se encontram envolvidas pelas nuvens de gás e poeira a partir das quais se formaram.

Geometria 3-D

Neste rastreio que está começando, o VISTA irá observar uma vasta área do céu – 184 graus (o que corresponde a quase mil vezes a área aparente da Lua Cheia) – incluindo as galáxias vizinhas Grande e Pequena Nuvem de Magalhães.

O resultado final será um estudo detalhado da história de formação estelar e da geometria em três dimensões do sistema de Magalhães.

“As imagens do VISTA permitir-nos-ão estender os nossos estudos para além das regiões interiores da Tarântula, até as inúmeras maternidades estelares menores da região, que também albergam uma população rica em estrelas jovens de grande massa. De posse de novas e belas imagens infravermelhas, poderemos sondar os casulos nos quais as estrelas de grande massa estão se formando ainda hoje, ao mesmo tempo que observamos as suas interações com estrelas mais velhas na região circundante,” diz Chris Evans, membro da equipe.

A imagem mostra vários objetos estelares diferentes. A área brilhante acima do centro é a própria Nebulosa da Tarântula, com o enxame de estrelas de grande massa, RMC 136, onde recentemente foi descoberta a maior estrela do Universo.

À esquerda está o enxame estelar NGC 2100. À direita estão os restos da supernova SN 1987A, cuja explosão foi reconstruída em 3D recentemente.

Na parte inferior estão regiões de formação estelar, incluindo a NGC 2080 – também chamada “Nebulosa Cabeça de Fantasma” – e o enxame estelar NGC 2083.

Do Inovação Tecnológica
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Zoológico cósmico é fotografado na Grande Nuvem de Magalhães

Esta parte da Grande Nuvem de Magalhães encontra-se tão cheia de enxames estelares e outros objetos que um astrônomo pode passar sua carreira inteira explorando-a. (Imagem: ESO)

Beleza científica

Os astrônomos estão sempre observando a Grande Nuvem de Magalhães, uma das galáxias mais próximas da nossa Via Láctea.

Não é para menos. Uma nova imagem espectacular, obtida no Observatório de La Silla, no Chile, mostra uma vasta coleção de fenômenos e corpos celestes, muitos deles ainda verdadeiros segredos para os cientistas.

Em apenas uma pequena porção da Grande Nuvem de Magalhães podem ser vistos desde enormes enxames globulares até restos deixados por explosões de supernovas.

Esta observação fascinante fornece dados para uma enorme variedade de projetos de pesquisa, com estudos sobre a vida e a morte das estrelas e a evolução de galáxias.

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