Vídeo amador registra outro impacto contra o planeta Júpiter

Um objeto de grandes dimensões atingiu na noite de quinta-feira a face visível do planeta Júpiter, produzindo um forte clarão que pode ser registrado por astrônomos amadores que observavam o planeta. Ainda não existem informações sobre a natureza do objeto impactante, mas acredita-se que seu tamanho possa ser superior a 1 quilômetro de diâmetro.

Imagem de Júpiter registrada pelo astrônomo amador Anthony Wesley mostra o momento exato do impacto. A Terra aparece como referência de tamanho. Na sequência, vídeo feito nas Filipinas pelo astrônomo amador Christopher Go, mostrando o instante do choque. (Créditos: Anthony Wesley/Christopher Go/Youtube/Apolochannel)

O impacto contra a atmosfera joviana se deu às 23h31 pelo horário de Brasília e produziu um intenso flash de curta duração com aproximadamente 1000 quilômetros de diâmetro. Segundo o astrônomo amador Anthony Wesley, da Austrália, devido ao horário desfavorável ainda não foi possível verificar traços remanescentes deixado pelo impacto.

Nas Filipinas, o astrônomo amador Christopher Go não escondeu a emoção ao conseguir registrar o choque através de imagens. “Ainda não acredito que consegui registrar, em tempo real, um impacto. É inacreditável!”

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Água e moléculas orgânicas são encontradas em asteroide

A descoberta de gelo na superfície do 24 Themis abre novas discussões sobre a distinção entre asteroides e cometas.(Imagem: G. Pérez)

Vida em asteroides? Ainda longe disso, mas esses pequenos corpos celestes que gravitam em torno do Sol não são tão áridos como se imaginava. Evidência de água e de compostos orgânicos acabam de ser detectados na superfície de um deles.

A descoberta foi publicada na revista Nature em dois artigos, um deles com participação brasileira.

Blocos básicos da vida

As indicações da existência dos blocos básicos da vida foram localizadas no asteroide 24 Themis.

Com cerca de 200 quilômetros de diâmetro, o 24 Themis é um dos maiores pedregulhos espaciais do Cinturão de Asteroides, entre os planetas de Marte e Júpiter.

Ao medir o espectro de luz infravermelha refletida pelo objeto, os pesquisadores verificaram que os sinais eram consistentes com água congelada. Segundo eles, todo o asteroide está coberto por um filme fino de gelo.

Os cientistas também detectaram material orgânico, o que fortalece a teoria de que asteroides podem ter sido os responsáveis por trazer água e compostos orgânicos à Terra. Esses elementos já haviam sido encontrados em meteoritos e mesmo em cometas.

“Os compostos orgânicos que detectamos aparentam ser cadeias extensas e complexas de moléculas. Ao caírem sobre a Terra estéril em meteoritos, essas moléculas podem ter servido como um grande pontapé inicial no desenvolvimento da vida no planeta”, disse Josh Emery, da Universidade do Tennessee, autor de um dos artigos.

Diferença entre cometas e asteroides

O outro artigo tem participação de Thais Mothé Diniz, do Observatório de Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista na caracterização de pequenos corpos do Sistema Solar.

“Não é possível saber com certeza qual é a espessura do gelo”, afirma Thais. “Mas ela deve ter entre alguns centímetros e uns poucos metros”.

A descoberta lança uma nuvem de dúvidas sobre a distinção que os astrônomos fazem entre cometas e asteroides.

A presença de água em corpos celestes sempre esteve associada a cometas e, acreditavam os cientistas até hoje, os asteroides poderiam ter tido água no início da sua formação, mas deveriam tê-la perdido há bilhões de anos.

Origem da água na Terra

Emery destaca que encontrar gelo no 24 Themis é uma surpresa porque a superfície do asteroide não é fria o suficiente para que o gelo possa permanecer ali por muito tempo. “Isso implica que gelo é abundante no interior desse asteroide e talvez em muitos outros. O gelo em asteroides pode ser a resposta para o enigma de onde veio a água da Terra”, disse.

Uma corrente de pensamento afirma que a Terra deve ter-se formado a uma temperatura alta demais para acomodar água em seus primeiros tempos e esta deve ter vindo de fora, em algum momento.

Cometas podem carregar muita água e o impacto de um em nosso planeta pode ter trazido uma boa quantidade mas não toda ela, obviamente. E o tipo de átomos conhecidos na água da Terra não corresponde ao encontrado nos cometas.

“Encontrar gelo em Themis abre a possibilidade de que água possa ter vindo de asteroides assim como de cometas. Isso em tese permite a chegada de mais água e mais possibilidades de combinações de átomos”, disse Andy Ribkin, da universidade americana de Johns Hopkins.

Os cientistas ressaltam que, como o 24 Themis é parte de uma “família” de asteroides formada a partir de um grande impacto e da consequente fragmentação de um corpo muito maior, há muito tempo, a descoberta implica que o objeto original também tinha gelo, o que tem grandes implicações para o estudo da origem do Sistema Solar.

As indicações da presença de água foram localizadas no asteroide 24 Themis, que tem cerca de 200 quilômetros de diâmetro e orbita a quase 480 km de distância do Sol, entre os planetas de Marte e Júpiter. (Imagem: Josh Emery/University of Tennessee)

Gelo pré-histórico

Asteroides não emitem sua própria luz. Por isso, as duas equipes tiveram que usar um telescópio de infravermelho. Com a ajuda do telescópio da NASA instalado em Mauna Kea, no Havaí, eles estudaram a luz do Sol refletida pela superfície do 24 Themis em comprimentos de onda do infravermelho situados entre 2 e 4 micrômetros.

As análises da espectrometria das duas equipes chegaram basicamente à mesma conclusão: o asteroide deve ser revestido por uma delgada capa de gelo, misturada com moléculas orgânicas.

“24 Themis mantém essa capa de gelo provavelmente desde que a Terra se formou, há cerca de 4,5 bilhões de anos”, diz Thais, que é especialista em asteroides.

Gelo subterrâneo

Os pesquisadores iniciaram o estudo porque fragmentos de rocha do asteroide pareciam como a cauda de cometas quando vistos por meio de telescópios e a descoberta sugeria que este poderia conter quantidades significativas de gelo.

Mas gelo na superfície seria improvável já que, sob a luz solar sem pressão atmosférica, o gelo evaporaria rapidamente. A temperatura média de 24 Themis é de cerca de 200 K (-73°C). A água congelada num corpo celeste situado a essa distância do Sol simplesmente sublima depois de algum tempo – vira vapor sem passar pela fase líquida.

Isso indiciaria que o gelo da superfície está sendo constantemente reposto. Emery e Andrew Rivkin, da Universidade Johns Hopkins, sugerem que o gelo evaporado é constantemente substituído por um processo por meio do qual o gelo contido no interior do asteroide “sobe” aos poucos, à medida que o vapor escapa da superfície.

Segundo eles, a duração do gelo na superfície do asteroide deve variar de milhares a milhões de anos, dependendo da posição do objeto.

Do Inovação Tecnológica

Bibliografia:

Detection of ice and organics on an asteroidal surface
Andrew S. Rivkin, Joshua P. Emery
Nature Physics
29 April 2010
Vol.: 464, 1322-1323
DOI: 10.1038/nature09028

Water ice and organics on the surface of the asteroid 24 Themis
Humberto Campins, Kelsey Hargrove, Noemi Pinilla-Alonso, Ellen S. Howell, Michael S. Kelley, Javier Licandro, T. Mothé-Diniz, Y. Fernández, Julie Ziffer
Nature Physics
29 April 2010
Vol.: 464, 1320-1321
DOI: 10.1038/nature09029

Galáxias e cometas marcam estreia do telescópio Wise

Cometa Siding Spring, visto em infravermelho pelo telescópio Wise.(Imagem: NASA/JPL-Caltech/UCLA)

Sábio

Um elenco diversificado de personagens cósmicos marcou a estreia do novo telescópio Wise (Wide Field Infrared Survey Explorer), lançado pela NASA nos últimos dias de 2009.

O WISE é um telescópio na faixa do infravermelho que ficará circulando em volta da Terra ao longo dos pólos para fazer um mapa completo do universo, detectando galáxias longínquas, estrelas frias demais para que sua luz seja captado com precisão por outros telescópios e até asteroides escuros, escondidos nas profundezas do Sistema Solar, de onde podem surgir “repentinamente” para se chocar com a Terra – veja mais detalhes em Telescópio Wise vai procurar Estrela X, asteroides ameaçadores e muito mais.

Monitoramento de asteroides e cometas

A fase científica da missão começou em Janeiro. Desde então, o Wise já enviou mais de 250.000 imagens em infravermelho do Universo. Agora a NASA divulgou as primeiras dessas imagens, já processadas e corrigidas.

As imagens selecionadas para divulgação incluem um cometa, uma nuvem onde se originam novas estrelas – um berço de estrelas, como dizem os astrônomos – a bela galáxia de Andrômeda e um distante aglomerado de galáxias.

“Estas primeiras imagens estão comprovando que a missão secundária da sonda, de ajudar a monitorar asteroides, cometas e outros objetos estelares, será tão criticamente importante quanto sua principal missão de levantamento de todo o céu no infravermelho,” diz Ed Weiler, um dos cientistas da missão.

Aqui, o berço de estrelas na nuvem NGC 3603, observado em infravermelho pelo Wise, aparece sobreposto ao mesmo ponto do céu observado em luz visível pelo telescópio Hubble. (Imagem: NASA/JPL-Caltech/UCLA/STScI/MPIA/Univ. of Heidelberg/Univ. of Illinois)

Poeiras de estrelas

Durante as observações, espera-se que o novo telescópio encontre dezenas de cometas desconhecidos, incluindo alguns que se aproximam bastante da Terra. O Wise ajudará a desvendar pistas, guardadas dentro desses cometas, sobre como nosso sistema solar pode ter-se formado.

“Todas essas fotos contam uma história sobre nossas origens e nosso destino, ambos ligados à poeira estelar,” disse Peter Eisenhardt, cientista da NASA. “O ‘Sábio’ (wise em inglês) vê cometas empoeirados e asteroides rochosos traçando a formação e a evolução do nosso sistema solar. Nós podemos mapear milhares de sistemas solares nascendo e morrendo em toda a nossa galáxia. Podemos ver os padrões de formação de estrelas em outras galáxias, e ondas de estrelas explodindo em aglomerados de galáxias a milhões de anos-luz de distância.”

Fonte: Inovação Tecnológica

Hubble fotografa colisão de asteróides

O núcleo principal do P/2010 A2 seria o que restou de uma colisão em hipervelocidade entre dois asteroides. Os astrônomos calculam que esse núcleo tenha cerca de 140 metros de diâmetro.(Imagem: NASA/Hubble)

Trombada espacial

O Telescópio Espacial Hubble fotografou um misterioso conjunto de detritos e poeira espacial em formato de X que sugere uma colisão frontal entre dois asteroides.

Os astrônomos imaginam há muito tempo que o cinturão de asteroides seja repleto dessas colisões, mas um choque desses nunca havia sido visto antes.

O objeto, chamado P/2010 A2, foi descoberto pelo projeto caçador de asteroides LINEAR (Lincoln Near-Earth Asteroid Research) no último dia 6 de janeiro.

Cometa suspeito

Inicialmente os astrônomos pensaram tratar-se de um assim chamado “cometa do cinturão principal” – um tipo raro de cometa que orbita o cinturão de asteroides.

Mas as imagens captadas pelo Hubble nos dias 25 e 29 de Janeiro revelaram o complexo padrão em X formado por estruturas filamentosas perto daquilo que se imaginava ser o núcleo do cometa.

“Isso é muito diferente dos envoltórios suaves de pó ao redor dos cometas,” diz David Jewitt, da Universidade da Califórnia em Los Angeles. “Os filamentos são feitos de poeira e cascalho, muito provavelmente lançados recentemente para fora do núcleo. Alguns estão sendo empurrados de volta pela pressão da radiação da luz solar, criando faixas de poeira em linha reta. Bolhas de poeira, incorporadas nos filamentos, estão acompanhando o movimento dos presumíveis corpos-pais.”

Rastros da destruição

Os cometas normais mergulham nas regiões centrais do Sistema Solar a partir de “reservatórios” de gelo localizados no Cinturão de Kuiper e na Nuvem de Oort. Conforme esses cometas se aproximam do Sol, o gelo superficial vaporiza e ejeta o material sólido do núcleo do cometa por meio de jatos.

Mas o P/2010 A2 pode ter uma origem diferente. Ele orbita as regiões internas e mais quentes do cinturão de asteroides, onde seus vizinhos mais próximos são blocos de rocha seca, sem materiais voláteis.

Isso deixa aberta a possibilidade de que a complexa cauda de detritos seja o resultado de uma colisão entre dois corpos, em vez de ser simplesmente gelo derretendo a partir de um corpo original.

“Se essa interpretação estiver correta, dois pequenos asteroides desconhecidos colidiram recentemente, criando uma chuva de detritos que está sendo varrida do local da colisão pela pressão da luz solar, assumindo o formato de uma cauda,” disse Jewitt.

Colisão em hipervelocidade

As colisões de asteroides são altamente energéticas, com velocidades de impacto médias de mais de 11.000 quilômetros por hora – cinco vezes mais rápido do que uma bala de fuzil.

O núcleo principal do P/2010 A2 seria o que sobreviveu dessa colisão em hipervelocidade. Os astrônomos calculam que esse núcleo tenha cerca de 140 metros de diâmetro.

No momento das observações feitas pelo Hubble, o objeto estava a cerca de 290 milhões de quilômetros do Sol e 145 milhões de quilômetros da Terra. As imagens do Hubble foram obtidas com a nova câmera Wide Field Camera 3, instalada durante seu upgrade realizado no ano passado.

Da Inovação Tecnológica

Não estamos prontos para enfrentar um Impacto Profundo, concluem cientistas

Um raio-trator gravitacional usaria uma nave espacial para exercer uma força sobre o objeto, forçando-o a mudar gradualmente sua órbita para evitar a colisão com a Terra.(Imagem: NASA)

Um novo relatório, preparado pelos cientistas do Conselho Nacional de Pesquisas dos Estados Unidos, levantou as ações necessárias e as opções disponíveis para identificar e enfrentar a ameaça de corpos celestes que ameacem colidir com a Terra.

As conclusões não são muito tranquilizadoras, mas apontam caminhos a serem seguidos para mudar a situação atual.

Meta imprecisa

O relatório estabelece novas ações possíveis que a NASA poderá utilizar para detectar asteroides e cometas em risco de colisão com a Terra.

Segundo o relatório, os 4 milhões dólares que os Estados Unidos gastam anualmente para detectar os chamados NEOs (Near-Earth Objects: objetos próximos à Terra) são insuficientes para que a agência espacial cumpra as recomendações feitas pelo Congresso norte-americano.

Em 2005, o Congresso daquele país estabeleceu para a NASA a meta de descobrir 90% dos NEOs com 140 metros de diâmetro ou mais até 2020. Obviamente a meta é imprecisa, já que é impossível descobrir 90% de um total desconhecido. Neste caso, são usadas as estimativas feitas pelos cientistas para o número provável desses objetos que existem no Sistema Solar.

Outra resolução do Congresso foi que o Conselho Nacional de Pesquisas determinasse a melhor maneira de alcançar essa meta. O relatório agora divulgado é a resposta a essa determinação.

Como encontrar asteroides em rota de colisão

Segundo o relatório, há duas abordagens que permitiriam à NASA alcançar seu objetivo de 2020 – e a abordagem escolhida dependerá das prioridades estabelecidas pelos políticos.

Se terminar o rastreamento dos objetos que ameaçam a Terra o mais próximo possível de 2020 for considerado o mais importante, então a melhor abordagem consistirá na utilização de um telescópio espacial para fazer observações em conjunto com telescópios terrestres adequados.

Se gastar a menor quantidade possível de recursos para cumprir os objetivos for considerado o mais importante, então será preferível usar apenas um telescópio terrestre adequado à tarefa – mas o prazo e a precisão poderão ficar comprometidos.

Monitorar objetos menores

O relatório também recomenda que a NASA monitore objetos menores – entre 30 e 50 metros de diâmetro – uma vez que pesquisas recentes sugerem que impactos de objetos dessas dimensões podem ser altamente destrutivos.

No entanto, o relatório salienta que a procura por objetos menores não deve interferir com o cumprimento do objetivo inicial. E, sobretudo, que, além desse esforço inicial, é necessário o estabelecimento de um esforço internacional para o monitoramento constante dos céus, a fim de detectar todos os NEOs perigosos.

E, segundo os especialistas, é necessário um esforço de pesquisas para estudar melhor os muitos aspectos ainda desconhecidos ligados tanto à detecção dos NEOs quanto às formas de enfrentar um eventual impacto.

O Observatório de Arecibo, em Porto Rico e o Goldstone Deep Space Communications Complex são vistos como essenciais nesse esforço. Embora estas instalações não sejam capazes de descobrir NEOs, eles desempenham um papel importante na determinação precisa das órbitas e da caracterização das propriedades de NEOs assim que eles são descobertos.

O tamanho do perigo

Os NEOs são asteroides e cometas que orbitam o Sol e que se aproximam ou cruzam a órbita da Terra. Um asteroide ou cometa que, calcula-se, tinha 10 km de diâmetro atingiu a península de Yucatán 65 milhões de anos atrás, causando uma devastação global, provavelmente eliminando um grande número de espécies animais e vegetais.

As pesquisas indicam que objetos tão grandes atingem a Terra apenas uma vez a cada 100 milhões de anos, em média.

Os estudos indicam que objetos menores do que os 140 metros de diâmetro que a NASA foi encarregada de identificar causariam prejuízos regionais. Esses impactos acontecem, em média, a cada 30.000 anos.

Até agora, a NASA tem sido muito bem-sucedida na detecção e rastreamento de objetos a partir de 1 km de diâmetro.

Embora os impactos gigantes sejam raros, um único impacto desses seria capaz de infligir danos extremos, levantando o clássico problema de como enfrentar uma possibilidade que é, ao mesmo tempo, tão rara e tão ameaçadora.

Técnicas de defesa contra os impactos

O relatório também analisa os métodos para se defender contra o impacto dos NEOS. Esses métodos são novos e ainda pouco estudados e avaliados, e nenhuma abordagem sozinha idealizada até hoje seria eficaz contra todos os tipos de objetos que podem colidir com a Terra.

Mas, desde que o alerta seja dado com uma antecedência suficiente, um conjunto com quatro tipos de mitigação seria adequado para enfrentar a ameaça de praticamente todos os NEOs, à exceção apenas daqueles realmente grandes.

Defesa civil

A chamada “defesa civil” é uma medida eficaz e economicamente viável para salvar vidas no caso de impactos de NEOs menores, sendo também uma parte necessária do esforço de mitigação para eventos maiores.

A defesa civil inclui a evacuação as áreas ameaçadas, a acomodação da população em abrigos e a criação de uma infraestrutura de emergência.

Raio-trator gravitacional

As técnicas conhecidas como raio-trator gravitacional usariam uma nave espacial para exercer uma força sobre o objeto, forçando-o a mudar gradualmente sua órbita para evitar a colisão com a Terra.

Esta técnica, contudo, seria prática apenas para NEOs pequenos (até 100 metros de diâmetro) ou, eventualmente, de médias dimensões (algumas centenas de metros).

Além disso, sua utilização exigiria que o impacto fosse previsto com décadas de antecedência. E, no entender dos especialistas, o raio-trator de gravidade, que poderia puxar ou empurrar o objeto lentamente, ainda está muito longe de ser viável dado o nível atual das tecnologias espaciais.

Métodos cinéticos

Os métodos cinéticos – colidir um veículo espacial contra o NEO para alterar sua órbita – poderiam ser uma boa defesa contra os objetos de tamanho médio (entre algumas centenas de metros e 1 quilômetro de diâmetro), mas também exigiria décadas de antecipação nas previsões do impacto.

Explosões nucleares

As explosões nucleares representam, segundo as conclusões do relatório, a única forma prática disponível atualmente para lidar com objetos grandes (com diâmetros maiores do que 1 km) ou como um sistema de backup para os NEOs menores se os outros métodos falharem.

Desconhecimento geral

A má notícia é que, apesar de todos estes métodos serem conceitualmente válidos, nenhuns deles está pronto para ser implementado a curto prazo, afirma o relatório.

A defesa civil e os projéteis para o impacto cinético são provavelmente os métodos mais próximos da prontidão, mas mesmo eles precisam ser mais estudados antes que se deposite muita confiança em sua eficácia.

Dado o nível atual de quase desconhecimento sobre muitos aspectos da ameaça representada pelos NEOs e das formas de lidar com eles, o relatório recomenda a criação de um programa científico revisado pelos pares – a norma padrão de realização de pesquisas reconhecidas como científicas – para estudar a questão a fundo.

Do site Inovação Tecnológica