Efeitos da gravidade extrema são revelados pelo oxigênio

Devido à sua natureza extremamente compacta, é praticamente impossível fotografar diretamente as imediações de uma estrela de nêutrons e o seu disco de acreção.(Imagem: ESA)

Campos gravitacionais

Astrônomos do Instituto de Pesquisas Espaciais (SRON) e da Universidade de Utrecht, na Holanda, detectaram pela primeira vez sinais de campos gravitacionais extremamente fortes registrados em uma linha de emissão de oxigênio.

A assinatura do oxigênio foi detectada nos raios X emitidos por uma estrela de nêutrons que está “engolindo” uma anã branca.

Embora a gravidade extremamente forte nas proximidades de estrelas de nêutrons e de buracos negros já tenha sido estudada antes de forma similar, este resultado é único – esta é a primeira vez que os efeitos da força da gravidade em uma intensidade extrema são revelados pelo oxigênio.

Até hoje, o processo somente havia sido detectado pela assinatura de átomos de ferro. Ocorre que as características dessas chamadas “linhas de ferro” são contestadas, o que as torna menos adequadas para medições.

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Descobertas cinco estrelas em rota de colisão com o Sistema Solar

Ao contrário do Cinturão de Kuiper, que é um anel no mesmo plano orbital dos planetas, a Nuvem de Oort parece ser uma esfera de rochas espaciais, prontas para virarem cometas, ao redor de todo o Sistema Solar.(Imagem: NASA)

Estrela a caminho

Tem uma estrela no nosso caminho. Ou melhor, cinco estrelas. Ou talvez sejamos nós a estarmos bem no caminho delas.

Um grupo de astrônomos russos e finlandeses usou dados do satélite Hipparcos, da Agência Espacial Europeia (ESA), juntamente com registros de diversos telescópios terrestres, para criar um modelo que mostra a trajetória de algumas estrelas vizinhas do Sistema Solar.

E algumas delas parecem decididas a estreitar os laços de vizinhança e nos cumprimentar bem de perto – elas deverão passar raspando pelo Sistema Solar.

Nuvem de Oort

Vadim Bobylev e seus colegas descobriram nada menos do que quatro estrelas até então desconhecidas que deverão passar a meros 9,5 anos-luz da Terra.

A essa distância, as quatro atingirão a chamada Nuvem de Oort, um verdadeiro campo de pedregulhos espaciais que os astrônomos acreditam ser a fonte de todos os cometas que atravessam o Sistema Solar.

Os efeitos gravitacionais desse encontro, e sua influência sobretudo sobre os planetas mais externos, ainda não foram modelados e não podem ser desprezados de antemão.

Estrela em rota de colisão com a Terra

Mas, segundo Bobylev, a maior ameaça virá mesmo é da estrela Gliese 710, uma anã laranja que, apesar de se encontrar hoje a 63 anos-luz da Terra, está chispando pelo espaço em nossa direção a uma velocidade de 14 quilômetros por segundo.

Segundo os astrônomos, seus cálculos indicam que há uma chance de 86% de que a Gliese 710 atravesse a Nuvem de Oort, arremessando milhões de cometas em direção ao Sol – logo, passando necessariamente pela órbita dos planetas, inclusive da Terra.

Estudos anteriores, contudo, revelam que uma saraivada de cometas gerada pela passagem de uma estrela pela Nuvem de Oort terá sobre a Terra o efeito mais de um chuvisco do que de uma tempestade – nosso planeta deverá ser atingido por não mais do que um cometa por ano.

Se serve de consolo, por outro lado basta lembrar que tudo indica que apenas um choque de um meteorito com tamanho suficiente foi capaz de dizimar a vida na Terra na época dos dinossauros.

A Gliese 710 é uma anã laranja que está chispando pelo espaço em nossa direção a uma velocidade de 14 quilômetros por segundo. (Imagem: NASA/Hubble)

Chuva de cometas

Há ainda, segundo os cálculos de Bobylev e seus colegas, uma chance em 10.000 de que a Gliese 710 aproxime-se a menos de 1.000 UA’s do Sistema Solar (UA: Unidade Astronômica. Uma unidade astronômica equivale à distância entre a Terra e o Sol).

Se isso de fato acontecer, ela atingirá não apenas a Nuvem de Oort, mas também o Cinturão de Kuiper – uma área repleta de pedregulhos espaciais congelados localizado além da órbita de Netuno – assim como outros grupos de objetos que giram em órbitas entre os dois.

Além de uma chuva de cometas eventualmente mais intensa, essa aproximação certamente afetará a órbita de Netuno, com efeitos sobre os demais planetas que ainda deverão ser objetos de novos estudos.

Pedras espaciais

A boa notícia é que, ao contrário das pedras que encontramos pelo caminho aqui na Terra, as pedras espaciais, ou pelo menos as estrelas, costumam ficar a grandes distâncias, e os tropeções demoram bastante para acontecer.

A mais perigosa das cinco ameaças, a Gliese 710, deverá chegar por aqui dentro de 1,5 milhão de anos.

Fonte: Inovação Tecnológica

Bibliografia:

Analysis of peculiarities of the stellar velocity field in the solar neighborhood
V. V. Bobylev, A. T. Bajkova, A. A. Myllari
Astronomy Letters
January, 2010
Vol.: 36, p. 27-43
DOI: 10.1134/S1063773710010044

Flagrados filamentos gigantes na galáxia

Filamentos gigantes de poeira estelar aparecem em uma nova imagem do Satélite Planck, da Agência Espacial Européia (ESA).

A análise dessas estruturas pode ajudar a determinar as forças que modelam a Via Láctea e também o que dispara a formação de estrelas.

A imagem mostra filamentos a apenas 500 anos-luz da Terra. Eles estão ligados à nossa galáxia, que aparece como a mancha rosa horizontal na parte de baixo.

As diferentes cores distinguem as temperaturas da poeira: tons de branco e rosa significam apenas algumas dezenas de graus acima do zero absoluto. Já as cores mais fortes significam temperaturas em torno de –261°C (cerca de 12 graus acima do zero absoluto).

Astrônomos tentam compreender exatamente como e por que essas estruturas surgiram, mas já se sabe que há muitas forças envolvidas na formação desses filamentos: o giro da própria galáxia, que cria padrões em espiral em estrelas, gás e poeira, a gravidade, a radiação e os campos magnéticos, por exemplo.

Os pequenos pontos brancos que aparecem na imagem são aglomerados de matéria nos quais pode estar ocorrendo formação de novas estrelas. Conforme encolhem, eles se tornam cada vez mais densos, protegendo seu interior de luz e outras radiações, o que leva a um resfriamento mais rápido e ao futuro colapso das estruturas.

Sonda espacial mergulha rumo a lua de Marte

A cada passagem, os cientistas estão apontando diferentes instrumentos ao misterioso rochedo sem atmosfera, adquirindo-se mais informações a seu respeito. Imagem: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)

Mergulho na lua

A sonda espacial Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), vai passar raspando pela maior lua de Marte, Fobos (ou Phobos), às 17h55 desta quarta-feira, no horário de Brasília.

A campanha de “mergulhos” da Mars Express começou em 16 de Fevereiro, passando a uma altitude cada vez menor. O rasante desta quarta-feira será o mais próximo de todos, quando a sonda espacial passará a apenas 67 km de altitude da lua marciana.

O mergulho de hoje havia sido planejado inicialmente para uma aproximação a 50 km de altitude. Mas, durante uma manobra feita na semana passada, a nave ficou numa trajetória que iria incluir uma ocultação por Fobos – ou seja, a Mars Express ficaria por trás de Fobos quando vista da Terra.

Como isto iria prejudicar o rastreamento da sonda, a ESA decidiu fazer uma nova manobra para reposicionar a sonda. Com isto, a passagem mais baixa será agora a 67 quilômetros.

Desvio da rota

A cada passagem, os cientistas estão apontando diferentes instrumentos ao misterioso rochedo sem atmosfera, adquirindo-se mais informações a seu respeito.

Ao passar tão perto de Phobos, a sonda é desviada de sua rota pelo campo gravitacional da lua. O desvio será de apenas alguns milímetros por segundo e não afetará o restante da missão, que continuará estudando Marte.

No entanto, para as equipes em terra, os mergulhos permitirão uma visão única da lua de Marte, permitindo estudar o seu interior e como a sua massa está distribuída.

Serão 12 aproximações ao todo, que durarão ainda até o dia 26 de Março. Depois do super mergulho de hoje, as altitudes voltarão a ser crescentes.

Como Fobos será estudada

Como é que esta medição extremamente sensível será feita? Ironicamente, ela começará com o desligamento de todos os sinais da nave. A única coisa que as estações em terra irão captar será o sinal de rádio de fundo, usado para transportar dados.

Sem dados para transmitir, o sinal sofrerá pequenas alterações, causadas pela mudança de frequência induzida por Fobos. As alterações serão da ordem de uma parte em um trilhão e são manifestações do efeito Doppler – o mesmo efeito que faz mudar o som da sirene de uma ambulância conforme ela se aproxima ou se afasta.

Apesar de extremamente sutis, as alterações poderão ser interpretadas pelos cientistas e responderão perguntas importantes, como forma e composição da lua.

O trabalho não estará terminado após esta aproximação. Outras sete se seguirão, antes de terminar a campanha. Além da experiência de rastreamento, conhecido como MaRS, de Mars Radio Science, o radar MARSIS também está começou a inspecionar a superfície de Fobos durante os mergulhos anteriores.

“Já fizemos um processamento de dados preliminar e a assinatura de Fobos é evidente em quase todos os dados”, diz Andrea Cicchetti, do Instituto Italiano de Física do Espaço Interplanetário e membro da equipe MARSIS.

Impressão artística da Mars Express, mostrando o radar MARSIS, com seus 40 metros de abertura, que estão sendo usados para estudar também a lua Fobos, de Marte. (Imagem: ESA)

Sonda russa

A câmera HRSC será usada na aproximação de 7 de Março, quando a Mars Express passar pela face iluminada de Phobos a uma altitude de 107 km, e continuará sendo usada nas passagens subsequentes, obtendo imagens inéditas da superfície da lua.

Esta câmera de alta resolução vai prestar uma atenção toda especial ao local proposto para a aterrissagem da missão russa Phobos-Grunt, que deverá ser lançada em 2011/12.

Os outros instrumentos também voltarão a funcionar nos próximos mergulhos. O instrumento ASPERA está estudando a forma como as partículas carregadas do Sol interagem com a superfície de Fobos. Os instrumentos SPICAM, PFS, OMEGA estão caracterizando a superfície da lua, sendo que o PFS está tentando medir a temperatura de Fobos nos lados iluminado e escuro da lua.

Blog do mergulho

“Todos os instrumentos da Mars Express têm algo a dizer sobre Fobos,” afirmou Olivier Witasse, cientista da missão. Segundo ele, isto é um bônus extra para a ciência, tendo em vista que nenhum deles tinha sido concebido para o estudo de Fobos, mas apenas do próprio planeta Marte. Os rasantes sobre Fobos foram decididos depois que todos os objetivos científicos da missão foram alcançados.

Os resultados científicos destas passagens deverão estar disponíveis nas semanas ou meses seguintes, quando as várias equipes de cientistas tiverem tido tempo para analisar os dados.

Os mergulhos da Mars Express sobre Fobos poderão ser acompanhados ao vivo pelo blog http://webservices.esa.int/blog/blog/7.

Do Inovação Tecnológica

Espelhos de novo telescópio da Nasa passam em teste de baixa temperatura

Lançamento do James Webb está marcado para 2014.
Capacidade de captar imagens do cosmos é muito superior à do Hubble.

Temperatura mínima - Espelhos foram submetidos a 248°C negativos (Foto: Emmett Givens / Nasa e MSFC)

A Nasa anunciou nesta quarta-feira (3) a conquista de uma etapa essencial para o lançamento, daqui a quatro anos, de um telescópio espacial ainda mais potente que o Hubble. O novo olheiro do espaço, batizado de James Webb, passou em uma espécie de teste de resistência climática. Seis dos 18 espelhos hexagonais do Webb – cada um com 6,5 metros de lado a lado – foram testados em uma câmara criogênica e de raio X, onde suportaram temperaturas de até 248°C negativos.

A análise é fundamental para assegurar que o material suporte as condições ambientais extremas do espaço. Os testes foram feitos tanto com os módulos separados quanto unidos. As peças também passaram por um “polimento criogênico”, para que cumprissem as especificações ópticas. O polimento criogênico assegura que, ao atingir temperatura operacional, extremamente fria, a forma do espelho será exatamente a planejada para que o telescópio possa captar imagens precisas de estrelas e galáxias distantes.

Parceria - Projeto, iniciado há dez anos, é resultado de parceria entre Nasa, ESA e agência canadense.

Para validar os resultados anunciados nesta quarta-feira, a Nasa vai coordenar uma série de rechecagens.

Os planos de construção e lançamento do Webb começaram a ser esboçados há dez anos. O Webb tem três patrocinadores: a Nasa, a agência espacial europeia (ESA) e a agência espacial do Canadá.